Teste: Em que partido votar?

Descobri um link para este teste no blog do Pedro. Por acaso já tinha pensado que era uma ideia gira alguém fazer uma coisa assim e voilá alguém fez mesmo 🙂

Aqui vai o meu posicionamento no gráfico partidário:

Pensei que estaria mais à esquerda. Mas eles aqui fazem a diferenciação também entre libertários/cosmopolistas (associados à esquerda) e nacionalistas/tradicionais (associados à direita).
A diferenciação aqui entre esquerda e direita tem a ver com a intervenção do estado na economia.

O posicionamento à esquerda na escala socioeconómica significa, no fundamental, que é a favor de um Estado providência forte e interventivo, pago através dos impostos (concordo). O posicionamento à direita significa que é a favor de um Estado com um papel reduzido na sociedade, mercado livre (também concordo) e impostos baixos. O posicionamento mais próximo do pólo Tradicional-nacionalista significa genericamente que defende a preservação da soberania nacional em detrimento de um aumento de poder da União Europeia e que está mais próximo de valores conservadores no que respeita a questões éticas e morais. O posicionamento mais próximo do pólo Libertário-cosmopolita significa que é pouco apegado à preservação da soberania nacional em face do processo de integração europeia e que está mais próximo de valores progressistas em relação a questões éticas e morais (ehe sou progressista, vês Paulo Portas, chama-se progresso 😉).

E a minha concordância com os vários partidos:

Teoricamente o partido que vai mais de encontro aos meus ideais é o MMS que sinceramente não conheço muito bem. Por isso decidi ler um pouco mais sobre as suas propostas e ideologias. Infelizmente, lá descobri que também não é este o partido com o qual me identifico pelo que a minha tentativa de votar conscientemente está a ficar cada vez mais dificil. Aqui vão os pontos de concordância e discórdia:

MMS: "Quanto ao sistema de pagamento de reformas, é essencial encontrar modelos substancialmente mais flexíveis, em que quem desconta tenha direito a escolher entre sistemas privados, públicos ou mistos."
EU: Concordo. Este foi um dos pontos em que o Louçã me desapontou, quando disse que os PPRs deveriam deixar de ter benefícios fiscais. Eu acho essencial haver um sistema de segurança social publico obrigatório que garanta as reformas de toda a gente (isto é, que evite que a minha reforma desapareça porque a instituição que a geria faliu) mas acho que se deve incentivar à concorrência (isto é, permitir sistemas de reforma complementares privados) para melhorar a qualidade dos instrumentos de poupança (a concorrência beneficia sempre os consumidores).

MMS: “(…) assegurar que os diferentes serviços de saúde disponíveis no país (públicos e privados) funcionam com base em princípios estabelecidos para o efeito e que a convivência de sistemas públicos e privados serve, com índices de qualidade muito elevados, os utentes. (…) Pessoalmente, e em termos gerais, sou apologista de um serviço público irrepreensível, com o qual possam livremente concorrer agentes privados (que, naturalmente, cumpram com os requisitos de licenciamento das actividades em causa)."
EU: Mais uma vez concordo que a concorrência traz benefícios mas mais uma vez também acho que esta abertura da prestação de seguranças sociais essenciais aos privados deve ser feita sempre e exclusivamente de forma complementar à pública, sendo a segurança social pública essencial e obrigatória.

MMS: "considerar adequado o rácio de, no máximo, 1 funcionário público para cada 100 a 200 habitantes.(…)[levando a um] total de funcionários públicos no intervalo entre 50 000 e 100 000. Existem em Portugal, actualmente, mais de 700 000 funcionários públicos. "
EU: Discordo completamente. É uma verdade que a função pública já há muito que necessita de uma reforma mas acho que numa altura em que o país está debilitado por uma recessão económica, aumentar o desemprego não é de todo a solução. Para mim, uma das soluções que deveria ser posta em prática imediatamente seria a redução dos salários da administração. Não faz sentido termos salários de administradores públicos na ordem dos muitos milhares de euros quando existem pessoas com rendimentos abaixo do salário mínimo nacional. Obviamente que sou da opinião de que a remuneração deve crescer com o mérito e experiência mas não faz sentido estarmos a financiar com os nossos impostos "tachos" quando existem pessoas que realmente sofrem necessidades financeiras.

MMS: "Interdição do deficit orçamental"
EU: Discordo. Mais uma vez, e embora considere importante não viver afogado em dividas, acho (ou melhor sei :P) que em altura de recessão a pior coisa que um governo pode fazer é apertar o cinto. Os governos devem agir de forma contra-cíclica (isto é, consumir quando o consumo privado se retrai e poupar quando "as vacas são gordas") para impulsionar, controlar e sustentar o crescimento económico. Esta é uma das minhas preocupações em relação à Manuela Ferreira Leite, também apelidada de "mulher de ferro das finanças", embora os discursos de campanha aparentem o contrário.

MMS:“(…) em matérias de consciência – eutanásia, legalização do aborto e casamentos de pessoas do mesmo sexo, a politica oficial do MMS é a de deixar à liberdade de cada um a posição a tomar. (…) pessoalmente sou favorável à legalização de qualquer uma das anteriores” “Casamentos gay. A favor ou contra?” “O Estado não se deve intrometer nos sentimentos das pessoas. Parece-me adequado a formalização desse princípio, que é a adaptação da lei à realidade.” "Nos EUA votaria Obama claramente".
EU: Olha muito bem dito 😉 (concordo completemente) Aqui já ganharam não sei quantos pontos na minha consideração

MMS:“A integração de universidades e de empresas nacionais em projectos de investigação e de desenvolvimento nos campos das novas energias — como é o caso das energias eólica, hidráulica ou solar, o hidrogénio e a biomassa — pode, com a adequada colaboração do Estado, contribuir para a constituição de novas formas de aproveitamento energético.”
EU: concordo. Vantagens para os alunos, para as reputações das universidades e sem duvida para a sociedade.

MMS: "Em relação às penas actuais, e em virtude da crescente ocorrência de crime violento e organizado, sugiro a sua reformulação, no sentido de que a pena máxima passe a ser a perpétua. Os actuais 25 anos de pena máxima previstos na lei portuguesa, além de insuficientes face à gravidade de algumas situações, poucas vezes se cumprem efectivamente, devido a amnistias ou a concessões de liberdade condicional, que permitem a redução do tempo efectivo de pena, em relação ao deliberado pelo tribunal e previsto na lei." "(…) permitindo-se a liberdade aos presos unicamente após a certificação da sua reintegração social, com a criação de mecanismos processuais onde a vítima tenha uma palavra sobre a pena a aplicar ao arguido."
EU: concordo totalmente. E ainda diria mais, as penas estão completamente desajustadas aos crimes. Uma pessoa que rouba pode levar uma pena inferior a uma pessoa que viola, incrível este país de 3º mundo. Já para não falar na prisão preventiva, que faz lembrar um daqueles países com governos instáveis onde, quando uma pessoa vai de férias, nunca sabe muito bem se voltará (estou a exagerar, eu sei :P, mas tenho realmente medo de ser presa durante 1 ano inteiro sem ter cometido nenhum crime antes de me poder defender convenientemente).

MMS: "alteração dos requisitos de prisão preventiva, facilitando aos Juízes a sua aplicação"
EU: como já disse em cima, discordo veementemente

MMS: “Definir com rigor e coerência perfis e competências necessárias, de forma a definir quotas de legalização, após análise fundamentada dos índices de empregabilidade, da situação económica nacional e dos sectores e àreas de actividade que tenham carência de mão-de-obra.”
EU: concordo. Não tenho nada contra os imigrantes (eu própria espero vir a ser uma noutro país um dia) mas acho que fazia todo o sentido termos uma política de imigração organizada e racional. Se necessitamos de médicos e existem médicos formados na Ucrânia que querem vir para cá, devem ser mais que bem-vindos (quem diz médicos, diz cabeleireiros ou pedreiros, não defendo o elitismo de classes). Mas todos os requisitos de entrada deveriam ser analisados na óptica de "esta pessoa vem ajudar o nosso país a crescer ou vem sobrecarregar a nossa segurança social?" Isto pode parecer um pouco xenófobo mas não é essa a intenção. Não digo que devemos fechar as portas, simplesmente adequar as entradas às necessidades e capacidades do país.

Resumindo, embora seja um partido com ideologias similares às minhas (em vários temas) não acho que seja uma boa opção para ajudar o país a recuperar da grave recessão económica em que se encontra. Como disse, em alturas de recessão cabe ao Estado ser "um mãos largas" para impulsionar o consumo, apoiar os contribuintes que ficam mais necessitados (desemprego, etc) e recuperar a economia.

Ainda pensei votar em branco mas infelizmente os votos nulos/em branco/abstinência são válidos apenas para contagem e não para a eleição de deputados. Isto é, é possível termos 99% de votos nulos e ainda assim termos uma maioria parlamentar. Está difícil….

"Os votos brancos e nulos não contam para a atribuição de mandatos e apenas contribuem para reduzir a abstenção." Comissão Nacional de Eleições

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2 Responses to Teste: Em que partido votar?

  1. anonymous says:

    Dehumanizer writes:É curioso, discordamos politicamente em tanta coisa, e no entanto no teste estamos quase iguais. :)E não, o teste não está viciado, o tipo em cujo blog o vi originalmente era totalmente de direita (nos dois sentidos). Yuck.

  2. PacoNassa says:

    e uma perda de tempo votar nestes partidos pequenos e esta tudo errado. so aparecem nas eleicoes e tem os orcamentos mais baixos logo menos visibilidade. embora estas ultimas os canais publicos tenham sido muito mais justos em tempos de antena para cada um.

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